[] O cenário de uma história que atravessa û como um raio û o final dos anos sessenta e dois momentos essenciais da história portuguesa vividos a partir de um lugar: Cascais. Há escritores que construíram toda a sua obra em redor de um lugar, como se ele prolongasse a adolescência (que é um modo de regressar eternamente a uma felicidade antiga) e fosse um mapa colado na parede;e há livros que, também por isso, se recusam a abandoná-lo apesar de a história decorrer noutras geografias. Neste caso, Lisboa não entra, África não entra, o Brasil não entra (apesar de figurarem como deambulações do personagem central, Noronha) û apenas Cascais, o lugar cujo mapa, rua a rua, aparece nestas páginas. O resto não interessa []. Francisco José Viegas in Prefácio